sábado, 16 de janeiro de 2010

PROFESSOR BAMBO: ELE ESTÀ NO MEIO DE NÓS-AMEN

O Português é um indivíduo mesmo inteligente. Dá-me ideia que o criador, tenha lá sido ele quem foi, teve o cuidado de por no “tuga” – algures alojado na periferia do apêndice- uma espécie de telemóvel com ligação directa ao professor bambo.
E isto porquê? Porque em qualquer conversa que tenhamos temos de fazer um esforço extra que, julgo eu, qualquer outro membro da comunidade europeia é poupado a fazer. As nossas conversas são blindadas à ignorância e à ciência exacta. Pelo contrário, exigem de nós, um poder de intuição de percepção do abstracto que só com poderes do além é que lá chegamos.
E porque tenho esta convicção? Porque, ao beber o cafezinho da tarde, os meus ouvidos deparam-se com a seguinte conversa entre cliente e o empregado do café:
“-Oh,pá…tu que fumas- apela o cliente a atenção do outro interveniente demonstrando já alguma afinidade e, quem sabe, conhecimentos de hábitos tabágicos.
-Quétuqueres - responde o empregado no léxico que tão bem domina.
-Em que canal é o Spoting hoje?
(reparem que a partir de agora, quem fez a pergunta, teve,de certeza, de ligar o seu telemóvel interno com ligação ao bambo para decifrar a informação que pretende)
-Epah, é na um ou na spot TV 1 ou na 2 ou lá como isso se diz. Mas não tenho a certeza. Só sei que é lá para as nove e picos, mais coisa menos coisa.”
Muito provavelmente, o professor bambo não estava em consultas porque prontamente o receptor da mensagem se mostrou esclarecido:
-Tchii, mesmo à hora de jantar.”
A certeza que este homem teve antes de afirmar a hora EXACTA do jogo, chega a ser comovente.
O curioso é que eu também percebi! Ou seja, faz-me crer que não foi um poder concedido apenas aquele Português. Todos os temos! Aliás, há um faduncho – o nosso cantar de sempre, saudosista que tão bem nos define- que diz exactamente o que este senhor sentiu quando aquela certeza lhe saiu: “Eram praí sete e picos, oito e coisa, nove e tal”